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Fazendo as perguntas certas

Em um processo de ensino e aprendizagem que se pretende bem sucedido saber fazer as perguntas certas é de fundamental importância.

Como professores, esse talvez não seja um aspecto sobre o qual refletimos e muito menos, nos planejamos. Talvez pensemos que as nossas perguntas aos nossos alunos virão conforme as reações deles, e nesse caso, podemos estar deixando de lado uma grande oportunidade de envolver o aluno.

Vamos refletir juntos?

  •          Quando você começa um novo assunto, você faz alguma pergunta para os seus alunos sobre esse assunto?

o   Se não, por que não?
o   Se sim, as perguntas que você faz tem o objetivo de verificar se eles conhecem algo sobre o assunto ou o que conhecem sobre o assunto?
  •          Durante a apresentação de um novo assunto, você utiliza perguntas?

o   Se não, por que não?
o   Se sim, essas perguntas tem o objetivo de verificar se estão entendendo sua explanação ou de solicitar a contribuição deles na construção da explanação?
  •          Ao final da apresentação ou da prática de um determinado tópico, para verificar o aprendizado dos alunos, você pergunta se entenderam ou faz perguntas sobre os conteúdos ensinados?

Só de pararmos um pouco para pensar sobre isso, provavelmente descobrimos que há algumas formas de fazer perguntas, umas mais adequadas para determinados momentos que outras, algumas mais eficazes que outras. É óbvio que não há apenas uma forma certa de fazê-las, mas que tal conhecer um pouco mais sobre essa poderosa ferramenta pedagógica?

Primeiro é bom sabermos que há perguntas abertas e perguntas fechadas. Isso não é novidade, eu sei, mas você já parou para pensar que a tendência das perguntas abertas é requisitar o ‘pensar’ e a das perguntas fechadas é requisitar a ‘memória’?  Vamos dar um exemplo:

  •          Suponhamos que você vai ensinar aos seus alunos como pedir comida em um restaurante, você terá respostas diferentes dos alunos se perguntar:

o   Do you remember how to start ordering a meal?

o   What could you say to start ordering a meal?

Com a primeira você poderia ouvir um ‘sim’ ou ‘não’ como resposta. Caso ouça ‘sim’, os alunos podem lembrar-se da informação e lhe dar. Na segunda, você os faz pensar. E com as respostas, fica sabendo o que conhecem sobre o assunto. Mas, é claro, não seria justo fazer uma pergunta como essa, se você sabe que seus alunos não tem ideia de como começar a esboçar uma resposta. Isso poderia criar certa ansiedade neles, talvez pudessem pensar que se você perguntou é por que deveriam saber.


Como você acha possível ajudá-los a chegar a uma resposta viável sem estresse?

Que tal utilizar uma pergunta múltipla escolha? Sim, se pensamos em respostas no formato de múltipla escolha para as avaliações que aplicamos, por que não podemos pensar em perguntas no mesmo formato? Vamos a um exemplo.

  •         Suponhamos que você está ensinado aos seus alunos como fazer uma reserva de hotel por telefone. Essa pergunta poderia ser feita em inglês ou em português, dependendo do nível do grupo:

o   Suppose you are talking to the reservation department of a hotel on the phone, what do you say first: the form of payment you will choose, the check in and checkout dates you want the reservation for or the time you are arriving.

Com esse tipo de pergunta você lhes dá algumas dicas possíveis  que servirão como subsídio para que reflitam e façam escolhas. Você ainda consegue ajustar as dicas ao nível de seus alunos. Com isso, eles podem contribuir e participar n
o desenvolvimento do assunto que está sendo apresentando a eles. Dessa forma, a interação e o envolvimento são seguramente maiores.

Um dos cuidados que devemos tomar quando fazemos perguntas é que elas devem ser claras para os alunos. Pense sempre nisso ao formular suas perguntas. Uma pergunta como: “What do you think of this movie?” pode ser uma pergunta vaga e que não ajuda os alunos a formularem respostas.  Perguntas como: “What was your favorite part of the movie?”,  “What did you like most about the main character?”  ou  “How would you describe X?” por exemplo, são perguntas que promovem uma interação mais clara e rápida.

Algumas das perguntas mais vagas e menos convidativas de serem respondidas são, por exemplo, “Do you understand?”, “Is it clear?”, “Do you have any questions?”  e afins. Essas perguntas desencorajam qualquer um de se pronunciar além de pouco fornecerem informações reais aos professores. No caso dos adultos talvez seja ainda pior, porque sabemos que, diante de seus pares, eles podem ter dificuldade em assumir sua dúvida.

São perguntas que merecem reflexão e mudança de nossa parte. Você provavelmente já percebeu que são perguntas vazias. E talvez já tenha suas próprias alternativas.

Se você não havia pensado nisso antes, sugiro uma troca. Por que não experimenta perguntar algo como:
  •          What are the questions you would like to ask?
  •          Do you have any more questions?
  •          How can I help you?
  •          What can I do for you?


Você também pode fazer perguntas sobre o próprio conteúdo para verificar se os alunos entenderam. 

Certamente é bem mais eficaz do que perguntar a eles se entenderam. Até algo como:

  •          What can you tell me about…?
  •          How can you explain… to me?


funcionaria melhor.


E então, o que você gostaria de dizer sobre isso? 


Tânia Regina Peccinini De Chiaro é graduada em Letras pela FFLCH e mestre na área de linguagem e educação pela Faculdade de Educação, ambas da USP. Como diretora da Link English Projects, desenvolve projetos corporativos de capacitação profissional para o atendimento de clientes estrangeiros em inglês e cuida da capacitação de professores. Tânia é autora de Inglês para restaurantes eInglês para hotelaria pela Disal Editora.

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