Este mês não vamos falar de colocações, ou melhor, não vamos abordar nenhum tipo em especial. É que estou lançando uma nova edição de O Jeito que a Gente Diz – uma edição bastante ampliada e atualizada.
Em termos de conteúdo, o capítulo sobre Linguística de Corpus passou a ser um pequeno manual sobre o assunto, com vários exemplos de uso de diversos corpora e suas ferramentas. Explica também como criar um corpuspersonalizado, extremamente útil para quem trabalha com língua de especialidade.
Além disso, a edição tem várias novidades. A principal delas é que além de inglês e português, ela apresenta agora exemplos em alemão, espanhol, francês e italiano. Esses exemplos aparecem em dois formatos: em quadros comparativos ao final dos capítulos e em anexos para cada uma dessas quatro línguas que retomam os capítulos, ampliando o leque de exemplos. Esses exemplos foram contribuídos pelas minhas colegas Eva Glenk (alemão), Heloisa Cintrão (espanhol), Adriana Zavaglia (francês) e Angela Zucchi (italiano), a quem deixo, mais uma vez, consignados meus agradecimentos.
Outra novidade são as sugestões de exercícios ao final de cada capítulo para dar oportunidade ao leitor de “por a mão na massa”:
1. Sublinhe, nas sentenças abaixo, alguns “jeitos que a gente diz”. O
primeiro já está feito a título de exemplo:
Os leigos esperam ansiosos pelos resultados práticos da pesquisa
genômica. (esperar por; resultados práticos, pesquisa genômica.)
• Muitas substâncias já foram isoladas em todo o mundo na pesquisa com organismos marinhos, mas poucas estão em testes clínicos.
• Esse campo de pesquisa está amadurecendo no Brasil.
• Eles tentaram parar o projeto público dizendo que devíamos trabalhar com o genoma do camundongo. Nos preocupamos em não dormir no ponto.
De resto, cada capítulo trata de um tipo de convencionalidade na língua, com uma profusão de exemplos em inglês e respectivas traduções. Eis alguns exemplos de colocações verbais:
Um grupo que recebe bastante atenção no livro são os diversos tipos de fórmulas, dentre elas as fórmulas de rotina, fórmulas situacionais. Como exemplos de rotina, temos algumas formas de votos:
Happy birthday. Feliz aniversário./
Muitas felicidades./Parabéns.
Happy anniversary Parabéns./Muitas felicidades.
Congratulations. Parabéns.
Happy Easter. Feliz Páscoa.
Happy New Year. Feliz Ano-Novo.
Merry Christmas. Feliz Natal.
Get well soon. Estimo as melhoras.
All the best. Tudo de bom.
Many happy returns of the day. Que esta data se repita por
muitos anos.
Entre as fórmulas situacionais temos:
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Don’t jump to conclusions.
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Não tire conclusões apressadas.
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Bom divertimento./Divirta-se.
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Não é o que você está pensando.
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É pra mim que você vem contar?
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Ao final do livro há uma lista com cerca de 250 dessas fórmulas.
Bem, se vocês quiserem saber mais, no dia 19 de abril vou fazer uma apresentação na Disal, às 14 horas. Seria muito bom encontrá-los pessoalmente lá.
Stella E. O. Tagnin: Professora Associada do Departamento de Letras Modernas, FFLCH, da USP. Embora aposentada, continua orientando em nível de pós-graduação nas áreas de Tradução, Terminologia, Ensino e Aprendizagem, sempre com base na Lingüística de Corpus. É coordenadora do Projeto CoMET.
e-mail: seotagni@usp.br
Um grupo que recebe bastante atenção no livro são os diversos tipos de fórmulas, dentre elas as fórmulas de rotina, fórmulas situacionais. Como exemplos de rotina, temos algumas formas de votos:
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Superideia, mas só uma pequena pergunta: Gente, quantos anos têm as pessoas que dizem "Estimo as melhoras"? Não conheço ninguém que use esta expressão em português (tenho 30 anos!) e esses dias ela apareceu no livro que uso para dar aula para estrangeiros. Fiquei tão encabulado de não conhecer que saí perguntando a vários brasileiros e todo diz apenas "Melhoras!" ou coisas como "Que você fique logo bom / melhore rápido".
Por isso gostaria de saber qual é a faixa etária ou região das pessoas que utilizam em seu dia-a-dia "Estimo as melhoras".
Grato.
*todos dizem