Recentemente recebi um email de um estudante de inglês que, como adulto estudando o idioma há muitos anos, se dizia desmotivado por não conseguir alcançar seus objetivos de aprender e falar o idioma da forma como gostaria. Mencionava, por exemplo, a metodologia e a forma de corrigir do professor como aspectos que, em seu ponto de vista, influenciavam tanto em sua motivação como em seus resultados. Ele havia lido um de meus textos e me pedia uma opinião sobre seu caso. Inspirada nas reflexões que este email me proporcionou, aproveito este espaço para escrever para este e tantos outros alunos que enfrentam desafios parecidos.
Penso que um processo de aprendizagem bem sucedido envolve uma série de fatores. Vamos tentar enumerar alguns aqui com foco no aluno adulto.
Método compatível: há uma gama enorme de institutos de idiomas oferecendo os mais diversos métodos de aprendizagem. Você precisa saber qual o método que se adéqua melhor a você e ao seu estilo de aprender. Não tenha receio de perguntar sobre isso à coordenação do instituto que está pesquisando, e até pedir para assistir a uma aula. Isso pode dar algum trabalho, mas vai garantir que está investindo tempo e dinheiro em algo com perspectivas mais sólidas de sucesso.
Inteligências múltiplas: há várias formas de aprender e cada um de nós tem preferência por algumas delas. Alguns são melhores com a palavra (inteligência verbal), outros com os números (inteligência lógico-matemática), outros ainda com esquemas visuais (inteligência visual /espacial). Se você quer saber mais sobre isso, pesquise sobre a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner e use-as a seu favor. Exercite o que aprender em sala de aula utilizando as inteligências múltiplas com as quais você tem maior afinidade.
Cuidado com suas crenças: saber usar as inteligências múltiplas a seu favor é bom. Se apegar a conceitos pré-concebidos, não. Às vezes acreditamos que algumas formas de estudar e aprender são as únicas que funcionam. Vamos a um exemplo prático. Há alunos que querem anotar tudo em seus cadernos. Essa é uma prática reproduzida da escola regular e que não necessariamente funciona em uma aula de idiomas. Há um momento em que o aluno pode precisar de toda a sua atenção para ouvir e falar, e não seria produtivo dividir essa atenção com as anotações. Abra sua mente, questione seus hábitos e crenças, e experimente outras formas, elas podem te surpreender.
Acostume-se a se ouvir e ver falando inglês: ao falar um idioma, sentimo-nos diferentes. Um aspecto importante é que você se habitue a ouvir-se falando inglês. Para isso, a tecnologia pode te ajudar. Você pode gravar-se ou filmar-se falando, e depois assistir e ainda, se corrigir. A primeira vez que fizer isso, talvez estranhe. Depois sua autoimagem melhora, e isso pode ser ótimo para sua autoconfiança.
Use estratégias: algumas estratégias de aprendizagem podem ajudar-lhe a aprender com mais eficácia. É preciso lembrar que apenas parte do trabalho é feito em sala de aula. A outra parte depende de você. Preste atenção em atividades feitas pelo professor em sala, algumas delas são perfeitamente possíveis de serem replicadas por você durante suas horas de estudo. Perceba nas atividades que faz, os tipos que funcionam melhor, e procure fazê-las com persistência.
Coloque-se objetivos: você precisa de metas Procure estabelecer metas que possa mensurar e que tenham um tempo de realização. Por exemplo, “eu vou escrever pelo menos cinco frases sobre minhas atividades ao final do dia para treinar os verbos no passado por três semanas.” Depois de estabelecidas, as metas devem ser monitoradas e ajustadas aos seus objetivos de aprendizagem.
Comemore seus progressos: o processo de aprendizagem não acontece de uma hora para outra, mas hoje você certamente sabe mais que ontem. Se estiver se dedicando, é muito importante que você reconheça e comemore seus progressos.
Permita-se errar: os adultos são mais exigentes consigo e muitas vezes, preferem não tentar falar inglês a errar. É um pouco complicado aprender a falar um idioma sem cometer erros. Encare sua aula como um laboratório para experimentar e seu erros como uma forma de aprender. Errar é o caminho para acertar. E experimentar faz parte do processo para adquirir a autoconfiança.
Espero que lendo essas dicas, você tenha pensado em outras tantas coisas que pode fazer para investir em seu aprendizado e alcançar o sucesso que espera.
Perceba que, de tudo que conversamos acima, muito pouco depende de seu professor ou do instituto onde está estudando, e muito mais de você. Lembre-se que este é um processo que demora algum tempo e persista em sua dedicação.
Tânia Regina Peccinini De Chiaro é graduada em Letras pela FFLCH e mestre na área de linguagem e educação pela Faculdade de Educação, ambas da USP. Como diretora da Link English Projects, desenvolve projetos corporativos de capacitação profissional para o atendimento de clientes estrangeiros em inglês e cuida da capacitação de professores. Tânia é autora de Inglês para restaurantes eInglês para hotelaria pela Disal Editora.