Em minha experiência de 25 anos com ensino de idiomas, pude testemunhar o resultado obtido por professores de todos os estilos: os agressivos, os passivos e os assertivos.

O agressivo é aquele professor, geralmente bem intencionado, que não lida bem com suas expectativas com relação aos alunos. Ele quer tanto que o aluno domine o idioma que, se este demonstra não querer tanto assim, a frustração é transparente e às vezes ríspida. Um aluno indisciplinado quase nunca muda seu comportamento quando tem um professor agressivo. É mais provável que ele se especialize em formas de burlar e enganar o professor, ou se torne também agressivo.

O professor passivo é aquele que quase não tem expectativas com relação ao resultado do curso. Ou não tem mesmo! Ele até pode ser eficiente, faz tudo conforme o treinamento, é responsável, etc. Mas não é necessariamente eficaz, não foca no resultado do que faz. Tem uma espécie de letargia para buscar resultados e fica só no processo. Essas são perguntas que o professor passivo não costuma fazer: O curso está funcionando para este aluno? Há algo que eu possa fazer? Que tipo de feedback tenho de dar ao aluno, para que sua performance melhore? Em que eu tenho de mudar? Geralmente, ele pensa: “estou fazendo a minha parte, se eles não estão fazendo a deles, não posso fazer mais nada.” O professor passivo esquece que é um líder, e, como tal, “fazer a sua parte” significa conseguir resultados através de outras pessoas.

E o professor assertivo? Este tem algumas características inerentes a todos os bons líderes:

  • Interessa-se pelo que o outro (o liderado, o aluno) é capaz de realizar e o orienta para o resultado. Não apenas uma vez, mas o acompanha sistematicamente.
  • Motiva ações positivas e também sinaliza quais atitudes não contribuem para o sucesso do curso.
  • Não se omite quando um aluno não está indo bem – não foge de seu papel de orientador.
  • Usa todos os recursos, meios de comunicação, estratégias e ferramentas – seu objetivo é que o aluno aprenda.
  • Faz com que o aluno se sinta protagonista e não coadjuvante do aprendizado. A atitude para aprender tem de vir do aluno também, não apenas do professor. Mas é o professor que cria o ambiente.
  • Não se intimida em cobrar do aluno participação, interesse e dedicação, sem o expor diante do grupo.

Nem todos os alunos (ou liderados) gostam do professor assertivo. Alguns preferem professores (ou líderes) omissos, que fingem que estão fazendo algo relevante, enquanto o aluno finge que também está.

Mas acredito que se vencermos o desafio da assertividade com doçura, mesmo que a verdade incomode, o aluno entenderá que alguém se importa realmente com ele e com seu resultado, e não apenas com o método, a aula, a presença ou o número de matrículas. E se o aluno não entender sua intenção, você poderá pelo menos se orgulhar de ter sido coerente com sua essência de professor.

E aí, que tipo de profissional você é? E que tipo de professor você quer ser?

A autora

Rosângela de Fátima Souza é fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas, empresa especializada em cursos de idiomas in company, consultoria em idiomas e traduções. É também sócia da empresa ProfCerto, um site de vagas para escolas e professores de idiomas.

Site: www.companhiadeidiomas.com.br E-mail: rose@companhiadeidiomas.com.br
Skype: rose.f.souza

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