O que é para você, professor de idiomas, ter uma grande ideia em suas aulas? Seria algo mágico, fenomenal, em que os alunos ficariam totalmente “ligados” na sua proposta? Seria algo já experimentado por colegas de sua área, ou por autores conhecidos no campo do ensino de idiomas?
Lembrando-se que você é o profissional que está diretamente em contato com seus próprios alunos, tenho certeza que ideias maravilhosas podem surgir através desta experiência…
Neste artigo tentarei estimular leitores a desenvolver a capacidade criadora a partir de pequenas ideias e mostrar como atividades comuns podem ser transformadas de forma interessante.
No livro “O Espírito Criativo” de Daniel Goleman, Paul Kaufman e Michael Ray, os autores citam um pensamento muito interessante de Ralph Waldo Emerson que diz: “Em toda obra de gênio, reconhecemos nossas próprias ideias rejeitadas”…
Por que será que isto acontece conosco? Talvez pelo medo do novo, do risco, da exposição, da crítica e de uma certa determinação, persistência e ao mesmo tempo flexibilidade.
Nos meus vinte anos de experiência como professora de inglês, tenho notado colegas que , apesar de serem muito criativos, ficam receosos em usarem suas próprias ideias com medo do fracasso, da receptividade dos alunos. Por isso, vivem atrás de atividades miraculosas que estimulem seus alunos como se fossem um passe de mágica que tornasse suas aulas cada vez mais atraentes. Adquirem materiais e freqüentam cursos que possam lhes fornecer receitas, fórmulas prontas para seus alunos.
No entanto, estes professores esquecem que estas ideias mostradas em livros e cursos são apenas sugestões, e fica a critério deles selecionar certas atividades, adaptá-las ou não, baseando-se na observação constante que é feita em sala de aula.
O processo criativo geralmente é desenvolvido quando nos permitimos criar, soltar a imaginação com uma pitada de bom senso.
Costumo ministrar uma oficina pedagógica com o mesmo título deste e-talk em que inicio as atividades pedindo para os participantes pensarem numa forma de apresentação, ou seja, como se apresentariam aos seus colegas.
Uma das ideias compartilhadas seria a de escrever cinco informações a seu respeito num pedaço de papel. Poderia ser : o que gosta de fazer nas horas vagas, sua idade, onde estuda, que bairro mora, que tipo de música gosta…
Após terem escrito as informações, o professor recolhe os pedaços de papel e começa ler os seus conteúdos em voz alta. Os outros alunos escutam as informações e tentam identificar o autor.
Por exemplo:
Professor: Este aluno gosta de praticar windsurfing, tem 18 anos de idade, estuda no Mackenzie, mora em Pinheiros e gosta de música “country”. Quem é ele?
Classe: Paulo.
Professor: Exato!!!
Nesta situação, provavelmente os alunos já se conheciam, pois foi fácil adivinhar quem era o autor daquelas informações. Parece que a atividade não causou um grande impacto. Talvez poderia ter outro efeito se os participantes não se conhecessem mesmo e estivessem realmente aprendendo um pouco sobre seus colegas.
Como poderíamos mudar esta atividade para aqueles alunos que já tivessem estudando por algum tempo?
Que tal pedir para que escrevam algo a respeito de si mesmos e colocar duas informações que não sejam verdadeiras. Neste caso, além de estarem identificando o autor da mensagem, precisariam corrigir as informações falsas.
Além disso, ao invés do professor ler as informações, estas seriam lidas por outros alunos, assim você daria uma chance maior a eles em relação à prática oral, usando a 3a. pessoa do singular…
Por exemplo:
Aluno 1: Meu colega gosta de praticar bungeejumping, tem 18 anos de idade,
estuda na Puc, mora em Pinheiros e gosta de música “country”. Quem é ele?
O que há de errado nestas informações?
Alunos criariam um interesse maior pela proposta.
Portanto, os primeiros passos para obtermos sucesso com uma atividade escolhida para o nosso grupo seriam:
E se o professor estiver trabalhando com um grupo já há muito tempo e estes alunos conhecerem esta atividade? O que fazer?
Como a atividade envolve a apresentação dos participantes e estes já se conhecem há bastante tempo, ela poderia se tornar cansativa e desinteressante.
No entanto, você, professor pode utilizar o outro passo da criatividade e observação :
Você então poderia pedir a cada um dos alunos que colocassem no chão um objeto, algo pessoal que estivesse em suas bolsas ou bolsos.
Apontando para cada objeto, os outros participantes precisariam falar algo a respeito de seu proprietário, como por exemplo:
Objeto escolhido: uma banana
Comentários feitos por outros alunos : “Patrícia escolheu uma banana…. Parece que se preocupa com sua alimentação…Pode ser que passe longas horas trabalhando e precisa ter sempre um lanche por perto para que não fique de estômago vazio… Parece ser uma pessoa preocupada com a saúde….etc…
Você concorda com estes comentários, Patrícia?”….
Objeto escolhido: um batom
Comentários feitos por outros alunos: “Daniela escolheu um batom…Parece ser bem vaidosa…Pela cor do batom, parece ser uma pessoa alegre e extrovertida…Parece ser do tipo de mulher que não sai de casa sem passar um batom…
Você concorda com estes comentários, Daniela?”…
Neste caso, a apresentação foi mais profunda. Mesmo que os alunos já estivessem juntos por muito tempo, são informações novas e interessantes a respeito de seus colegas.
Uma pequena variação para esta atividade seria a de colocar todos os objetos em uma sacola sem serem vistos a princípio pelos outros participantes.
Assim, cada vez que um objeto é tirado da sacola, os outros alunos teriam que adivinhar quem o escolheu e a razão da escolha.
Nestes exemplos acima, pudemos observar que duas ideias podem ser transformadas em quatro!!! Não é maravilhoso? Basta observarmos a adaptarmos as atividades.
Outro aspecto que tenho observado nestes anos todos de experiência como professora é a queixa de alguns profissionais pela falta de recursos que existe na escola onde trabalham . Outros profissionais queixam-se do alto investimento que precisam fazer ao comprar materiais importados e frequentarem cursos para ajudarem-nos a ficarem atualizados e fazerem com que suas aulas se tornem prazerosas.
É claro que materiais e recursos são importantes para adquirirmos maior conhecimento e uma gama maior de ferramentas para realizarmos cursos maravilhosos e significativos.
Entretanto, é a partir de pequenas ou simples ideias que grandes atividades comunicativas surgirão.
Pense, por exemplo, no que você poderia fazer com um balão em sala de aula?
Observamos, então que com um simples recurso como “um balão” podemos elaborar várias atividades.
Lembro-me de ter visto uma criança com menores recursos financeiros brincar com um carrinho que acredito ter sido confeccionado por ela mesma. Era um carrinho muito bem elaborado feito com garrafas de plástico. Todos olhavam para aquela criança e para o carrinho espantados com a originalidade.
Todos temos o que Daniel Goleman chama de “Espírito Criativo”.
“O espírito criativo é mais que um lampejo ocasional ou um desabrochar da fantasia; quando ele desperta, anima toda uma maneira de ser: uma vida repleta de desejo de inovar, de explorar novas formas de fazer as coisas, de transformar sonhos em realidade…Esse espírito também se manifesta no cozinheiro afoito que continuamente inventa novas receitas ou no professor inspirado que descobre novos meios de instigar os seus alunos”.
E você, caro professor, como tem transformado suas “pequenas ideias” em “grandes ideias” no ensino de idiomas? Participe! Seria um prazer compartilhá-las com você…
Referência:
“O Espírito Criativo”- Daniel Goleman, Paul Kaufman, Michael Ray; Editora Cultrix, SP, 1992
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