Editorial NR

Tópicos contemporâneos para o ensino de idiomas.

Organizadoras: Joyce Fettermann e Isabela Villas Boas. 1ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2021.

A língua está no centro da vida e da aprendizagem.

Por meio dela pensamos, nos expressamos e interagimos. A língua nos define e nos ajuda a pertencer e a entender quem somos. Aprender uma língua adicional amplia nossas perspectivas de aprendizagem e nossa maneira de estar no mundo. Numa sociedade diversa, plural, complexa e interconectada, ensinar línguas nos convoca a reflexões profundas para além da sala de aula. Os autores de Tópicos contemporâneos para o ensino de idiomas nos conduzem a essas reflexões, com sensibilidade e olhar crítico para variados contextos, da escola pública à privada, do ensino regular ao instituto de idiomas, e da educação infantil à de adolescentes e adultos, com discussões pertinentes sobre a formação dos professores e seu papel no desenvolvimento dos estudantes.

Organizado por Isabela Villas Boas e Joyce Fettermann, o livro reúne onze capítulos, embasados por pesquisas relevantes na área e por evidências observadas na prática docente dos autores. Dos onze capítulos, nove fazem conexões com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e todos evidenciam a função social e política que as línguas exercem na comunidade. Ao final de cada capítulo, referências bibliográficas permitirão ao leitor se aprofundar nas questões de maior interesse.

No Capítulo 1, Joyce Fettermann traz um relato sobre as contribuições dos multiletramentos e da multimodalidade numa escola pública, ressaltando seu papel fundamental no entendimento das fake news. No capítulo seguinte, Guilherme Pacheco discute a integração entre mente e corpo e o lugar da multidisciplinaridade para abrir espaços em que os alunos se tornem agentes de sua aprendizagem.

Cristiane Perone nos convida a desmistificar a crença comum de que o processo de letramento deva acontecer primeiro na língua materna. Ao trazer práticas significativas de letramento nas duas línguas para o centro do processo educativo de crianças entre 5 e 7 anos, ampliamos seu repertório e as ajudamos a entender o mundo letrado. No capítulo 4, Gabriel Ribeiro nos guia para a descoberta da adolescência a partir de pesquisas em Ciências Sociais e História para, juntos, refletirmos sobre suas implicações para o ensino de inglês. No capítulo 5, Leticia Moraes discute o uso de projetos para tornar a aprendizagem visível e ressalta o papel orientador do professor e a relevância da abordagem CLIL (Content and Language Integrated Learning) nesse processo. Mônica Freire, por sua vez, explora os diferentes graus de autonomia e seu lugar na escola e na aprendizagem ao longo da vida, lembrando-nos que esta transcende a educação formal. No capítulo 7, Akemi Iwasa nos provoca com exemplos de sexismo linguístico e nos convida a adotar uma postura crítica na desconstrução dessa linguagem.

A seguir, Luiz Felipe Bayão discute a complexidade do conceito de diversidade e os princípios a serem reconhecidos numa educação equânime e inclusiva. No capítulo 9, Marina Falcão problematiza a definição de autenticidade e analisa as vantagens e desvantagens do uso de materiais autênticos no ensino de idiomas, as primeiras notadamente em maior número. No capítulo 10, Bruno Albuquerque contrasta o ensino de adultos e de crianças, enfatizando a necessidade de explicitar os objetivos da aprendizagem e negociar metodologias que insiram o adulto num papel ativo na resolução de problemas. No último capítulo, Paulo Dantas nos convida a refletir sobre os usos e impactos das tecnologias digitais na educação, para além dos dispositivos móveis, integrando seu uso a atividades que permitam a colaboração e produção de conteúdo. Numa perspectiva futura, pós-pandêmica, como a formação do professor e o uso de tecnologias poderão enriquecer o processo de aprendizado?

Embora cada capítulo tenha um enfoque específico e possa ser lido de forma independente, há um claro fio condutor unindo seus componentes.

Sem perder de vista as necessidades dos estudantes e o desenvolvimento de competências linguísticas para as demandas da contemporaneidade, a proposta de formação docente visa ao entrelaçamento de práticas humanistas e discussões conscientes que deem voz aos estudantes e nos conduzam à compreensão mútua.

A Troika nos presenteia mais uma vez com um projeto significativo, em que os saberes, aliados ao respeito à alteridade, possibilitam uma educação humanizada e equânime. Leiam. Discutam. Compartilhem com seus pares.

Nesta obra, reunimos 11 capítulos escritos por especialistas com experiências no ensino de línguas em variados contextos no Brasil. São professores, formadores de professores e pesquisadores que se dedicam às temáticas aqui contempladas, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento profissional e as práticas de ensino de educadores que atuam nas diversas regiões brasileiras, em diferentes segmentos.

Maria Teresa de la Torre Aranda

Maria Teresa de la Torre Aranda é mestre em Teaching English as a Second Language (TESL) pela School for International Training, Vermont (EUA). Licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, antigo instituto isolado da Universidade de São Paulo (USP), tem ampla experiência no ensino de português e inglês e na coordenação pedagógica. Atualmente é docente do Instituto Singularidades, no curso de pós-graduação Bilinguismo e Educação Bilíngue: desafios e possibilidades, e assessora pedagógica de escolas bilíngues e regulares em língua inglesa. Suas áreas de atuação incluem a formação de professores, o desenvolvimento de currículo e a avaliação formativa.

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