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Have you been chapulling?

Nas últimas semanas anotei algumas das palavras novas que apareceram em inglês, ou palavras já existentes que eram novas para mim.

O Primeiro Ministro turco, Tayyip Erdoğan, chamou os manifestantes na Praça Taksim em Istambul, de çapulçu, (pronuncia-se “chapulchu”) “baderneiros”, “hooligans”, mas os manifestantes começaram a utilizar esse termo de uma maneira positiva, também inventando a palavra chapulling em inglês, inclusive com banners em inglês como “Everyday I’m chapulling”.  Então rapidamente o sentido de çapulçu mudou, e a wikipedia dá sua nova definição: “to act towards taking the democracy of a nation to the next step by reminding governments of their reason for existence in a peaceful and humorous manner.” “Agir para levar a democracia de uma nação a uma nova etapa, lembrando os governos de sua razão de ser de uma maneira pacífica e com humor”. Encontrei versões de çapulçu em alemão – tschapulieren – e em espanhol, el chapulo,  mas ainda não achei nenhum chapular em português para descrever os protestos que estão acontecendo no momento.

Plasticarian é outra palavra nova. Quando Thomas Smith, um doutorando em química da Universidade de Manchester recebeu uma tampa plástica com seu xicara de chá, ele a recusou, dizendo: “Não posso aceita-lo, porque sou plasticarian”. O sufixo –arian, ou “-ariano” em português, denota uma crença, e pode ser visto em palavras como vegetarian ou humanitarian, mas aqui denota uma oposição ao plástico. Nesse caso a palavra deveria ser anti-plasticarian, mas o lobby anti-plástico começou a usar plasticarian.

Revisando uma tradução encontrei a palavra hospitalist. Tive de procura-la na Internet. É um médico cuja especialidade é cuidar das condições hospitalares dos pacientes e o médico que vai ter mais contato com os pacientes. Não vai decidir nada sobre o tratamento o a cirurgia do paciente.

Keepie uppies foi outra palavra nova para mim. É um fenômeno bem conhecido: manter uma bola, geralmente de futebol, no ar o máximo possível. É um jogo muito popular no mundo inteiro, até em países que não têm fama no mundo do futebol, como a Tailândia e a Camboja.

Também aprendi umas palavras que o inglês deveria adoptar de outras línguas: 
Tartle, que vem do dialeto escocês da língua inglesa, e quer dizer o pânico que se sente antes de se apresentar a alguém cujo nome se esqueceu – como vai descobrir seu nome, e o quê vai chama-lo?

Iktsuarpok é uma palavra da língua esquimó, inuit, e é o sentimento de antecipação quando você está esperando uma visita e sempre sai de casa, ou do iglu, para ver se ele ou ela está chegando.

Pelinti é uma palavra da língua buli, da Gana, que se usa quando se põe na boca um pedaço de comida demasiado quente, e move essa comida na boca para esfriá-la, enquanto se grita “aaarrrhhhh”.

Mencolek é uma palavra indonésia que se usa quando, como brincadeira, se bate alguém levemente no ombro no lado oposto de onde você está, querendo que a pessoa se vire e descobre que não há ninguém lá.


Gigil vem do Filipino, e quer dizer a vontade de beliscar ou apertar alguém ou alguma coisa irresistível, geralmente um nené, ou um bicho pequeno.


Lagom vem do sueco. No conto de “Cachinhos Dourados e os Três Ursinhos” a menina acaba comendo a sopinha do pequeno ursinho, que não está nem quente, nem frio, mas na temperatura certa, “no ponto”.


Les Seigneur-terracessão as pessoas que ficam muito tempo nos cafés franceses se gastar quase nada.

Pana Po’o vem do havaiano: é o ato de coçar a cabeça quando se perde alguma coisa.

Uma palavra brasileira que o inglês deveria adoptar é cafune, um carinho feito mexendo nos cabelos com as pontas dos dedos, para o qual não existe equivalente.


Zeg, que vem do georgiano, é “o dia depois de amanhã”. Overmorrowexiste em inglês, mas ninguém a usa.


Kaelling, palavra dinamarquesa, refere-se às mulheres que xingam seus filhos em público, no supermercado, no portão, ou no restaurante.


L’esprit de l’escalier: você já fez sua visita, está indo embora, então lhe vem exatamente a resposta certa que você devia ter feito, mas já é tarde demais…


Bilita Mpash vem da língua Africana, bantu, e é usado para um sonho maravilhoso, o oposto de um pesadelo.

E, finalmente, uma velha palavra inglesa que não se usa mais. Tentei reintroduzi-la, mas com pouco sucesso em nosso mundo de fartura de comida: Groak: olhar em silêncio alguém que está comendo e esperando que seja convidado para compartilhar a refeição.


Bom apetit!


John Milton é professor de Literatura Inglesa e Estudos da Tradução na USP. Ela acaba de lançar Viagem à Turquia, Balcãs e Egito pela Editora Hedra. 

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