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Ensinando idiomas para adultos



A Andragogia, ciência que se originou a partir dos estudos do autor Malcolm Knowles, coloca-se como um modelo educativo para jovens e adultos, com fundamentos que podem orientar os professores para resultados mais eficazes no ensino desse público.

Knowles refere-se a cinco premissas acerca do adulto aprendiz nas quais a Andragogia busca se basear para dar a sua contribuição. Aqui estão elas:

1.       Os adultos necessitam saber o motivo pelo qual devem realizar certas aprendizagens
2.       Os adultos aprendem melhor experimentalmente
3.       Os adultos concebem a aprendizagem como resolução de problemas
4.       Os adultos aprendem melhor quando o tópico possui valor imediato
5.       Os motivadores mais potentes para os adultos aprenderem são motivadores internos.

Talvez ao ler as premissas acima você tenha reconhecido algumas características de seus alunos ou até suas, quando está no papel de aprendiz. Que tal falarmos um pouco sobre isso no contexto do ensino de idiomas para jovens e adultos?

1.       Os adultos necessitam saber o motivo pelo qual devem realizar certas aprendizagens.
Penso, e acho que já falei sobre isso aqui, que nós professores temos razões pedagógicas para abordarmos certos assuntos. Quantas vezes explicitamos isso aos alunos? Quantas vezes fazemos que eles reflitam sobre isso?
Talvez algo como: “Caros alunos, a unidade que começaremos hoje nos ensina o assunto X. Ele é importante dentro de nosso processo para que possamos ter a habilidade para nos comunicarmos em tais e tais situações. Do ponto de vista da estrutura da língua, também vamos aprender a fazer isso e aquilo. Vamos estudar este tema por tantos dias ou semanas. Dentro de seus objetivos para aprender o idioma, como você, aluno, enxerga que essas habilidades podem ajudá-lo?”
Como também já falamos em outras ocasiões, as perguntas são outra ferramenta muito eficaz. Dessa forma, tudo o que foi falado acima, poderia se tornar pergunta. Algo como: “Caros alunos, vejam alguns exemplos do que vamos aprender pelos próximos dias. Para que acham que isso serve? Por que acham que isso faz parte do nosso curso? Como isso vai nos ajudar? Em que contextos e situações conseguiremos aplicar isso, quando tivermos aprendido e praticado? E vocês, em seus contextos de vida e profissionais, onde poderão utilizar isso?” Depois que você fizer os alunos pensarem e contribuírem na discussão, apare arestas, esclareça dúvidas e equívocos, e resuma a discussão salientando os pontos principais.
2.       Os adultos aprendem melhor experimentalmente
Os adultos sabem muitas coisas por conta de sua experiência de vida e de trabalho. Partir dessa experiência das coisas que o adulto sabe para ensinar-lhe sobre aquilo que ele não sabe pode ser uma boa estratégia do professor.
Além disso, as aulas teóricas e as explicações podem até ajudá-los, mas não serão suficientes para que aprendam. Eles beneficiam-se de oportunidades de prática variadas e em diferentes contextos. Às vezes, precisam que nós, professores, lhes mostremos como e onde reaplicar determinada aprendizagem em um contexto diferente. Podemos também provocá-los a buscar novos contextos onde aplicar uma aprendizagem já adquirida. Eu penso que uma abordagem que priorize o raciocínio indutivo funcione com mais eficácia. Vamos a uma ilustração: o professor proporciona aos alunos várias formas de praticar os comparativos em inglês. Ao final de um processo, por meio dos exemplos praticados, os alunos inferem as regras. Para estabelecê-las, o professor pode fazer perguntas e ajudar os alunos nos pontos em que houver dúvidas, oferecendo mais exemplos.  O professor finaliza, esclarecendo dúvidas e repassando as regras inferidas e seus pontos principais.
3.       Os adultos concebem a aprendizagem como resolução de problemas
Os adultos precisam ter uma razão para querer aprender algo e muitas vezes, essa razão está vinculada a uma aplicação prática do que se vai aprender. Ele pode, por exemplo, querer aprender algo para solucionar um problema.  Às vezes, é um problema de maior abrangência e que levará um tempo a ser solucionado, como, por exemplo, ter um novo emprego em que há uma demanda para se saber um determinado idioma.  A aprendizagem do idioma é para aquele adulto a solução daquele problema.  É algo concreto que precisa ser resolvido e aprender o idioma terá uma aplicação prática importante.
Sabendo disso, nós, professores, podemos criar um ambiente de aprendizagem mais propício se conseguirmos mostrar ao aluno que o assunto a ser aprendido tem uma aplicação prática para determinado contexto de sua vida ou trabalho.
Ou talvez possamos planejar um assunto a ser ensinado como um problema a ser resolvido?  Vamos a um exemplo: Estou sozinho no escritório neste momento e o telefone toca. A ligação, que é internacional, não é par
a mim. O que devo dizer para atender, explicar que a pessoa não está lá e pegar o recado?
4.       Os adultos aprendem melhor quando o tópico possui valor imediato
Se o adulto concebe a aprendizagem como uma resolução de problemas, é claro que a prioridade para ele é resolver problemas que ele considera pendentes. Por isso, o aluno aprende melhor aquilo que sente que poderá utilizar de imediato. Se nós, professores, conseguirmos abordar um determinado assunto de modo a considerar a história de vida e interesses do aluno, muito provavelmente vamos envolvê-lo mais e ele sentirá mais motivação em participar.
5.       Os motivadores mais potentes para os adultos aprenderem são motivadores internos.

Como foi falado acima, o aluno precisa sentir-se envolvido com o assunto para querer aprender aquilo e motivar-se a participar. O mais interessante nessa questão é perceber que a motivação intrínseca tem mais importância para o adulto do que a extrínseca.  O adulto que sentir maior autoestima, maior realização, mais autoconfiança por estar aprendendo algo vai certamente sentir-se mais motivado a seguir aprendendo. Como nós, professores, podemos ajudar nesse caso? Feedback honesto e frequente, conversas sobre como aprender a aprender, e apoio quando o aluno está passando por uma fase em que se sinta menos envolvido são formas essenciais de colaborar em seu processo de aprendizagem.

Vamos trabalhar!


Tânia Regina Peccinini De Chiaro é graduada em Letras pela FFLCH e mestre na área de linguagem e educação pela Faculdade de Educação, ambas da USP. Como diretora da Link English Projects, desenvolve projetos corporativos de capacitação profissional para o atendimento de clientes estrangeiros em inglês e cuida da capacitação de professores. Tânia é autora de Inglês para restaurantes e Inglês para hotelaria pela Disal Editora.

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